05/09/16

[Mkt News Entrevista] A paixão por bikes e aventura motivou um publicitário a empreender



Aproveitando a oportunidade de um trabalho acadêmico, consegui mais um minutos para uma entrevista especial para o MKT News

Mais conhecido pela galera como "Zé Mario", meu amigo de faculdade, publicitário (formado na mesma turma que eu em 2011 pela FAPCOM), resolveu empreender depois de identificar uma deficiência no mercado de acessórios para bikes

Começou customizando as próprias peças, e para amigos, e abriu sua própria marca. 

Leitura Recomendada: Casal larga publicidade para empreender ao redor do mundo.

Nesse mês de agosto a Sem Raça Definida comemora três anos, e com muto aprendizado e planos para o futuro. 

Entre verdadeiras aulas sobre selins, couro, bike, cortes a leaser e negociação, aconteceu nossa entrevista no ateliê da marca.


#MKTNews: Como Surgiu a “Sem Raça Definida”?

R: Essa, é legal. As pessoas tem essa curiosidade com o nome. Foi engraçado, ele surgiu quando eu estava um dia quase dormindo, tive aquele "estalo" do nome, anotei no celular mesmo, virei pro lado e voltei a dormir. Pensei nisso só no dia seguinte, como eu iria desenvolver a ideia.

Sem Raça Definida é ligado a cães, gatos, animais domésticos que não tem pedigree. 

Você pode reparar, esses animais tem todos a mesma aparência, mas o que diferencia um do outro são os pequenos detalhes: uma mancha, um tom diferente do pelo, tamanho... E essa é uma das características da customização de bicicletas, e das minhas peças, que são feitas a mão. Por mais que você crie um modelo de produtos que sejam feitos artesanalmente, eles possuem essa característica dos detalhes. Um produto não sai exatamente idêntico ao outro. 

E outro ponto legal, é que esses animais "aguentam o tranco". Eles são resistentes a várias situações. Essa foi uma das analogias do nome da marca. O logotipo também completou esse conceito de rua da marca com a ideia de demarcar nosso território também.


#MKTNews: Sua profissão te ajudou para abrir seu negócio?

R: Sem dúvida. Minha marca não existiria se eu não cursasse publicidade e trabalhado na área também. Sempre tive aptidão para trabalhos manuais, antes de trabalhar em agência eu era protético, fazia aparelhos móveis, e entrei por acaso nessa área. Trabalhava como office boy, e me deram uma chance. Fiquei lá por dois anos e meio. Mas já trabalhei em oficina automotiva, lixei muita massa de carro. 

Agora a publicidade me trouxe vários itens para que a minha marca pudesse funcionar. Senso estético e crítico em questão de pesquisa e referência. Estratégia de comunicação, a gente vê que muita coisa hoje em dia é mal feita. Fotografia e programas de edição de imagens, tanto para divulgação como para desenvolvimento das  embalagens. Toda essa bagagem foi fundamental

Se eu tivesse inventado de começar a SRD sem ter passado pela publicidade, e eu não sei se teria dado certo.


#MKTNews: Você tem alguma estratégia, ou plano, voltado para o marketing digital? Ou e-commerce?

R: Os meus quatro pilares de venda são: a fã page da marca, meu perfil pessoal no Facebook , o e-commerce da marca e Instagram

Sempre procurei ser bem ativo nesses meios, porque acredito que seja bem mais fácil alcançar meu público, sendo um usuário com voz ativa. 

Quando você se coloca como um formador de opinião, alguém que usa os produtos, e não mais alguém apenas divulgando, as pessoas percebem de uma outra forma, a aceitação é mais fácil por parte do público. E não é a esmo.

Nas redes sociais eu procuro sempre atualizar com conteúdos legais, cuidando da estética pra não sair da linha

A estratégia que eu estou fortalecendo agora é trazer a galera pra dentro do ateliê, pra vir conhecer. Como antes era feito em casa, não tinha como promover esse contato, mas agora em uma sede, aos poucos a galera vem conhecer nosso trabalho, bate um papo sobre os produtos ou troca dica de viagens. É bem legal.

Futuramente a ídeia é promover um "Bike Day", onde você traz sua bike, fecha um pacote de serviços, conhece os profissionais envolvidos, passa a tarde aqui assistindo o trabalho, interagindo com a marca. Vai ser bem legal. 


#MKTNews: Você comentou que usa bastante seu perfil pessoal atrelado a sua marca. Tem muitos "especialistas" da área que dizem que não é correto esse tipo de estratégia. O correto é separar o pessoal do corporativo (da marca). O que você pensa sobre isso?

R: Eu ando trabalhando bastante na construção da minha imagem pessoal também. As pessoas dizem sobre essa dissociação, mas isso se aplica em uma grande empresa. No meu caso, eu sou um artesão. Hoje em dia as pessoas estão voltando a valorizar o que é exclusivo, o que é feito a mão. Há uma preocupação na forma da produção, se envolve escravidão, poluição de rios... Isso conta bastante. 

Justamente por isso que eu acho importante associar a minha imagem a marca, porque as pessoas querem saber quem está por trás, qual a índole, como é feito. As pessoas estão cobrando coerência atualmente, e isso é bom, ajuda a gente a se policiar, a crescer.


#MKTNews: Você teve alguma dificuldade na aplicação de alguma estratégia?

R: Recentemente eu estudei trazer da Europa um material diferente, sem origem animal para a produção. Uma boa parcela do meu público é de filosofia vegana, e meus produtos são em couro. Então pensei em desenvolver acessórios nesse material, justamente para aproximar esse público. O grande problema é o valor. Ainda é uma empresa pequena, que ainda está engatinhando apesar dos 3 anos.

Pensei em fazer um teste, uma pré-venda, porque muita gente já conhece meu trabalho. E ver se daria certo as pessoas comprarem algo que elas não viram pronto ainda. O dilema foi com relação ao valor. O valor do nosso "carro chefe" (selim e as fitas do guidão), saem em torno de R$300, com esse material importado, sairia o mesmo conjunto por volta de R$ 800, por ter materiais de melhor qualidade em todos os aspectos, desde o forro à base do selim, embalagem etc. Mas foi um teste mesmo pra saber se eu teria público.


#MKTNews: Daqui 5 anos, como você se imagina? O que você planeja pra SRD?

R: Não tenho um plano de negócios que eu estou seguindo a risca, mas de setembro em diante estarei implementando alguns processos de formalização. Mas daqui cinco anos pretendo ter um maquinário mais completo, um lugar próprio (o espaço é dividido com amigos que customizam bikes), e pelo menos um ou dois funcionários para me auxiliarem nas tarefas administrativas e de produção. E lógico, aumentar a produção, porque há mercado pra isso em vários níveis, que vai além só de consumidor final.

E acabando nossa entrevista, meu amigo coça a cabeça, abre o sorriso e solta: "Mas quero continuar na produção, administrar não é o meu trabalho rs"


Vida de empreendedor também é mão na massa!

O que acharam? Já empreenderam no mesmo segmento? Deixem seus comentários.


← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

0 comentários: