04/03/16

O segredo do Porta dos Fundos ter se tornado um negócio poderoso no YouTube


O roteirista e humorista Antonio Tabet, criador do blog Kibe Loco, contou à plateia da Feira do Empreendedor 2016 como o Porta dos Fundos, um programa de humor, virou um negócio de sucesso

Criado em 2011, o projeto é hoje o maior canal do YouTube no Brasil, com mais de 11 milhões de assinantes.

E, quem aí lembra da famosa "Judite"?

A ideia do Porta dos Fundos nasceu da insatisfação de cinco amigos com a falta de liberdade criativa da TV brasileira. Entre eles, estavam os comediantes Fábio Porchat, Gregório Duvivier, João Vicente de Castro, além do próprio Antonio Tabet e do diretor Ian SBF.

"Começamos o Porta dos Fundos no fim de 2011, no entanto, os vídeos foram publicados apenas em agosto do ano seguinte. Foram quase nove meses de produção; e, nesse período, tentamos vender o Porta dos Fundos para a TV, mas ninguém quis. A ideia era exibir o conteúdo ao mesmo tempo na TV e na internet. No fim, foi até bom que ninguém quis comprar, porque depois cobramos muito mais caro".

Atualmente, os vídeos do Porta dos Fundos são exibidos no canal Fox Brasil.

Tabet conta que, em 2012, o que fazia sucesso na internet eram vídeos de qualidade ruim, normalmente feitos em filmagens amadoras de celular.

"Nós quisemos fazer um conteúdo que pudesse ser exibido no cinema, o que foi muito bom, porque hoje a banda larga no Brasil melhorou e as pessoas consomem nosso conteúdo, feito com equipamento de alta qualidade", diz.

O Porta dos Fundos, diz o humorista, foi um dos primeiros canais do mundo a padronizar os dias de publicação dos vídeos.

Eles fizeram uma programação para publicar o conteúdo toda segunda e quinta-feira, às 11 horas da manhã. Esses horários foram escolhidos por serem os momentos da semana em que o blog Kibe Loco apresenta os melhores resultados. Atualmente, o canal também publica vídeos aos sábados, no mesmo horário.


Investimento e ponto de virada

No começo do Porta dos Fundos, cada um dos cinco integrantes colocava, mensalmente, R$ 5 mil na empresa.

"Foi assim no primeiro mês e no segundo. Depois, o valor aumentou para R$ 10 mil. Alguns meses depois, não era preciso mais colocar dinheiro no negócio, porque ele estava se pagando. Ainda não sobrava dinheiro, mas estávamos melhor. Até que saiu o vídeo do Spoleto", diz.

O vídeo do Spoleto, inicialmente chamado Fast Food, foi escrito por Fabio Porchat e publicado em 13 de agosto de 2012. Foi o sexto vídeo do Porta dos Fundos e, durante a sua produção, a equipe do canal de humor buscou ajuda do marketing da rede de comida rápida para tentar usar uma de suas lojas como locação.

"Eles pediram para nós enviarmos o roteiro. Nós enviamos e recebemos a seguinte resposta: ‘Nem em uma outra vida!’", conta Tabet.

De qualquer modo, o vídeo foi produzido e publicado. Embora não tivesse o nome de Spoleto, era fácil ligar o conteúdo à marca, o que fez com que um dos donos do Spoleto, Mario Chady, ligasse para a equipe do Porta.

"Ele [Mario Chady] ria muito no telefone e pediu para se encontrar com a gente. Quando nos encontramos, perguntou por que nós não tínhamos gravado em um Spoleto, então nós explicamos o motivo. No fim, o Spoleto acabou patrocinando o nosso canal e encomendou mais dois vídeos, com total liberdade criativa".

Como resultado, Tabet conta que o Spoleto teve um aumento de 700% no número de pessoas que mandavam currículo para trabalhar lá. "Isso aconteceu porque as pessoas perceberam que o Spoleto era uma empresa de cabeça aberta. A partir daí, várias outras marcas nos procuraram para fazer o mesmo", diz.




Modelo de negócios

Segundo Tabet, a maior parte do faturamento do Porta dos Fundos vem do conteúdo patrocinado. "Mas o vídeo só fica bom quando a gente tem liberdade criativa total", explica.

Um exemplo disso é o vídeo "Parabéns".

Tabet conta que, após o vídeo do Spoleto, recebeu uma ligação do marketing do Outback. A rede de restaurantes queria que o Porta dos Fundos fizesse um vídeo sobre eles.

Por coincidência, ele tinha escrito um roteiro sobre as comemorações de aniversário no Outback, que enviou para o marketing da empresa.

"Então eu recebi a seguinte resposta: Nós gostamos muito, mas queríamos que, no fim, alguém olhasse para a câmera e falasse: Ainda bem que esse tipo de coisa não acontece no Outback", diz Tabet.

Segundo o humorista, esse tipo de interferência iria diminuir a qualidade do vídeo, então eles decidiram abrir mão do dinheiro.



 O Porta hoje

Quando a produtora começou a crescer, Tabet conta que foi preciso buscar especialistas para o negócio.

"Nós não sabemos ler um contrato, pagar impostos, e nem queremos saber. Então, tivemos que arrumar uma empresa que pudesse cuidar da parte burocrática. Também contratamos uma pessoa para ser a presidente do Porta, o que acabou sendo um grande exercício de humildade, porque nós queríamos uma pessoa para mandar em nós", conta.

Segundo o humorista, ser funcionário da sua própria empresa permite que sejam encontrados erros que não seriam percebidos por um cargo de gestão.

E como funcionário, Tabet afirma seguir uma rotina de trabalho intensa, "com reuniões de roteiro toda quarta-feira, onde cada um de nós deve trazer três roteiros escritos por semana. Os textos bons são aprovados de cara, os ruins vão para o lixo e alguns trocam de mãos", explica.

Além de Tabet, o Porta dos Fundos conta hoje com mais 69 funcionários, e os planos para 2016 envolvem a produção de um filme, que deve chegar aos cinemas no meio do ano.

Para complementar, ouça esse podcast:



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