11/08/15

A publicidade vai chegar ao Netflix e você nem vai se importar


Só de pensar na possibilidade da Netflix veicular publicidade, muita gente já fica de cabelo em pé: "Se isso acontecer eu cancelo a minha assinatura na mesma hora". Cancela nada. Esse tipo de coisa já aconteceu diversas vezes em outras mídias.

Alguém se lembra da TV a cabo? Hoje ela é lotada de comerciais. E quem cancelou a assinatura por isso? Quem deixou de assistir vídeos no YouTube quando os anúncios começaram a ser veiculados? Sem falar que há muita gente que utiliza a conta free do Spotify, que exibe anúncios entre as músicas e banners dentro do site/app.

Então calma lá com essa rebeldia aí, meu chapa.

O que eu quero dizer é que a publicidade sempre encontra um caminho. Tudo vira formato. Produto. Não tem escapatória. Quanto mais dinheiro a Netflix ganha adquirindo novos assinantes mundo afora, mais os detentores de direitos de conteúdo irão exigir uma contrapartida para manter seus filmes/séries/documentários lá dentro.

Ok. É certo também que, se o serviço seguir nessa crescente -  e tudo aponta que sim - não ter o conteúdo sendo veiculado no Netflix talvez não seja interessante, já que é previsto que a audiência dentro do serviço deve ultrapassar a audiência na TV americana já no próximo ano.

Francamente, eu não me importo em começar a ver publicidade por ali. Se de alguma forma isso servir para que o serviço tenha mais bala na agulha pra criar conteúdo original e seguir bancando uma gama cada vez maior de conteúdo de terceiros e, principalmente, manter o preço que, digamos, é bem baixo.

O CEO da empresa, Reed Hastings, segue firme negando a chegada da publicidade. Mas eu digo que as coisas mudam. Estamos vivendo um momento pra lá de interessante no que diz respeito a relevância na veiculação de anúncios.

Os old times da publicidade intrusiva estão ficando pra trás. A mídia baseada no comportamento e hábito das pessoas começa a ser adotada em grande escala em todo o mundo. Nunca imaginamos ter tantas opções de segmentação.

Muito do que víamos em Minority Report, naquela cena onde eram exibidos painéis luminosos rodando publicidade direcionada para quem olhava pra eles, é possível hoje. Isso já se vê em feiras de tecnologia. Só não é ainda aplicado em larga escala. Ainda é caro. E ainda não é 100% perfeito. Mas estamos chegando lá. Aquele mundo onde o termo publicidade remetia a interrupção está ficando pra trás.

Voltando ao Netflix, já imaginou como poderia funcionar a publicidade lá dentro? Poderia ser segmentada por gênero de filme. No halloween, por exemplo, anúncios de marcas que possuem relevância com o tema em todos os filmes de terror. Simples, um pré-roll de 15 ou 30 segundos antes da exibição do filme, com opção de skip, claro. Indolor. Você não seria mais interrompido dali em diante e seguiria assistindo seu programa predileto, na hora que você escolheu.

Marcas poderiam montar playlists de filmes, assim como já acontece no Spotify. Já imaginou como seriam os filmes recomendados pela Red Bull? E os recomendados pelo Google, Apple? Afinal, qual o problema em marcas também oferecerem curadoria dentro da plataforma? Claro, tudo dentro dos limites, sem interromper ou prejudicar a experiência do usuário.

A curadoria oferecida através de playlists de filmes, tipo um sponsored by, ficaria dentro de uma seção especial, separada da curadoria baseada nos algoritmos do Netflix. Cada coisa em seu lugar.

Imagine conteúdo original de marca dentro da plataforma. Não falo de conteúdo ruim, com simples objetivo de vender um produto. Poderia haver uma espécie de comitê de aprovação para analisar o que a marca em questão estaria disposta a fazer dentro da ferramenta. 

Qual o objetivo? Qual a relevância dele para os usuários? Com tudo alinhado e com garantia de boa experiência para o usuário, não há problema. 

O Netflix já está testando propaganda de conteúdo próprio dentro do serviço. Por enquanto são apenas trailers de conteúdo original. Mas quem acredita que ficará apenas por aí? Com a tecnologia pronta, fica cada dia mais difícil resistir a publicidade. Ela vai chegar. 

O mundo não vai acabar, as pessoas seguirão assinando o serviço e o conteúdo lá dentro vai melhorar. Pode apostar!


Fonte: Adnews
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