31/10/14

O papel das redes sociais nas eleições 2014



A campanha eleitoral ganhou um novo palco nesta eleição: as redes sociais, principalmente o Facebook e o Twitter, onde os candidatos passaram a utilizar para bombardear os eleitores com informações sobre si e também acusações aos adversários.

Acredito que essa discussão tenha iníciado em 2013, quando assistimos uma ala da sociedade brasileira indo às ruas com uma ideia de provocar uma possível mudança no cenário político nacional.

Esse movimento ganhou forma, corpo e voz através do compartilhamento voluntário de anônimos pelas redes sociais, e que dentro de uma estética apartidária e sem vínculos diretos com instituições de nenhuma natureza, o povo mostrou o seu poder de interatividade e que com a força de uma ideia a sociedade seria capaz de mover um verdadeiro exército de pessoas para o posicionamento de uma causa comum.

Comportamento fabuloso que começou a perder força por conta de atos contrários que foi à barbárie de uma série de atentados contra prédios, bancos, meios de comunicação e espaços públicos. Vândalos que se infiltraram no meio de uma legítima manifestação social para o aproveitamento momentâneo de práticas antissociais.

Porém, o que ficou claro diante de todo o cenário é o poder que os meios de relacionamento digitais estão oferecendo para as pessoas de um modo geral. Quando a ideia tem estrutura clara, que visa o bem de um coletivo e que é tangível sua responsabilidade participativa, um grande número de pessoas aderem, assinam e participam ativamente, até mesmo quando o movimento não tem um líder previamente estabelecido.

Não foi muito diferente no pleito que assistimos este ano. Esse exército ideológico ganhou as redes sociais para a formação de opinião e troca de ideias em busca da construção desse momento político coletivo e com o objetivo da constituição de um bem comum.

O mundo se comunica pelas redes sociais. E nas eleições não poderia ser diferente. A modernidade chegou à campanha. Isso significa que não dá para disputar uma eleição desprezando o poder das redes sociais. As redes sociais são um campo aberto e vasto. Foram essas redes que deram rumos impressionantes à campanha de Barack Obama e o levou à vitória (my.barackobama.com).

Porém, o que realmente preocupa é a forma como algumas pessoas ainda adotam na hora da troca de ideias e quando os argumentos acabam diante da apresentação de opiniões contrárias.

Vimos em diversos posts uma série de xingamentos, palavras de baixo calão, troca de ameaças, adjetivos torpes e desnecessários com a opinião alheia e uma série de barbárie linguística apelativa pelo simples fato de um concordar ou não com determinada opinião.

Isso é preocupante! As redes sociais ganharam um papel de voz popular. Espaço para a manifestação pública das ideias particulares e que com o poder do “like” ou da tecla “compartilhamento” essa ideia ganha adeptos de um pensamento individual, assim, com o número de curtidores expressos e contabilizados por um desses mecanismos, a ideia passa a ter um caráter de coletividade.

Outro ponto interessante nessas eleições 2014 foi o fato de, além dos candidatos e suas estratégias de campanhas usarem as redes sociais como canal de comunicação direto com o eleitor, a contratação de blogueiros para o auxilio da propagação da campanha e para o fomento ideológico entre seus seguidores, fãs e curtidores pela rede.

No perfil de Dilma Rousseff no Facebook, cerca de 30 mensagens eram "postadas" diariamente. A candidata privilegiou textos e fotos. Já no perfil de Aécio Neves, aproximadamente 20 mensagens foram publicadas por dia, na maioria vídeos.

Ambos os candidatos tiveram uma estratégia semelhante nas redes sociais, com o uso dos perfis teleguiados e foco primeiramente no ataque do adversário e depois na defesa das acusações sofridas.

Esse ano ficou muito claro, como as redes sociais serviram como uma espécie de termômetro social. 

Twittes foram contabilizados, estudos das campanhas realizadas pelo Facebook foram analisados, e a forma de como as campanhas ganharam as redes foram milimetricamente avaliadas por especialistas e estudiosos de marketing e comunicação.

Isso sem contar com ferramentas de mensuração voltadas as redes sociais, como Scup, Hootsuite e Zmonitor. Confira aqui um aplicativo que a Scup desenvolveu para a eleição.

Por fim, mais uma vez as redes sociais tiveram um papel importante para a construção de um grande episódio da nossa sociedade, deixando mais uma vez a clareza do seu poder e deixa a provocação para todos os brasileiros da necessidade do amadurecimento do uso de cada plataforma. 

No entanto, a televisão continua sendo o meio com muito mais impacto, e este se dá pela quantidade de notícias e campanha eleitoral obrigatória.



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