25/06/14

Após "boom" dos apps de chamada, táxis ganham espaço no mercado de tecnologia

Nos últimos dois anos, o Brasil assistiu a um boom de aplicativos de chamada de táxi, incluindo alternativas estrangeiras e nacionais. Passada a febre de criação desses apps, novos produtos e parcerias para táxis surgem no mercado de tecnologia, como prova de que o segmento tem potencial o suficiente para se tornar uma opção permanente.

Uma dessas soluções é a conexão Wi-Fi dentro dos táxis. A Wi-Fi Legal, startup de soluções de Wi-Fi, oferece desde o último mês o Táxi Legal, modem Wi-Fi que fornece internet gratuita para os passageiros. "O Táxi Legal nada mais é que um modem roteador com um chip 3G que oferece internet de até 2 MB para os passageiros e o taxista. Além disso, o modem é USB, o que permite que que o taxista use essa conexão fora do táxi, como em um computador", explica Wagner Sansevero, fundador da Wi-Fi Legal. 




O empresário conta que desde 2010 já estudava o mercado de táxis, porém, por conta de custos infraestruturais, a ideia de implantar Wi-Fi em táxis era inviável. "Hoje, com os apps de chamada em alta, uma internet boa é essencial não só para o passageiro, mas para o próprio taxista, para não perder chamadas. Com isso, um custo de um modem que antes era um luxo, agora é um investimento", opina Wagner.

Na solução da Wi-Fi Legal, o taxista pode optar por dois pacotes: o individual (R$ 49,99/mês) ou o corporativo (sob consulta), sendo que ambos têm taxa de adesão de R$ 99,99. Como os próprios nomes dos planos dizem, o primeiro é destinado a taxistas independentes, enquanto o segundo vale para cooperativas ou empresas de rádio táxi. 

Wagner conta que por enquanto poucos taxistas aderiram ao serviço, contudo, espera atingir 1.500 profissionais até dezembro deste ano só no município de São Paulo. "Atualmente, a cidade conta com uma frota de mais 33 mil táxis. Destes, apenas cerca de 5% possuem Wi-Fi. Em compensação, em pesquisa feita pela Wi-Fi Legal, 70% dos passageiros consideram a conexão um tipo de diferencial", explica.

Outra empresa que também já oferece Wi-Fi nos táxis é a SaferTaxi, contudo, de forma um pouco diferente. Segundo a empresa, o taxista recebe um aparelho com 3G para compartilhar a internet com o passageiro, além de poder utilizar o smartphone para apps próprios. "Temos contrato com uma das grandes operadoras do Brasil e alugamos a internet para o taxista. Ao invés de pagar pelo preço normal de R$ 139, o taxista paga apenas R$ 50. Se ele quiser, ainda, pode pedir só o chip e manter seu celular pessoal", afirma Talita Lombardi, gerente da SaferTaxi no Brasil.

Questionada sobre a opção do modem, Talita defende que é uma solução mais prática. "O taxista não precisa controlar um modem e o seu celular. Ele controla tudo por um aparelho só: suas chamadas via aplicativo, o compartilhamento de internet para o passageiro e ainda o uso do seus apps pessoais", afirma.


Bateria: questão de vida ou morte

Quem viaja muito ou usa o táxi como meio de locomoção na cidade sabe como ter bateria no smartphone ou tablet se tornou crucial. Pensando nisso, a Nextel criou uma campanha para colocar carregadores em táxis de São Paulo. "A ideia é oferecer aos usuários um serviço de conveniência e praticidade. E assim manter nosso compromisso de entregar melhores serviços aos nossos clientes e atrair novos para nossa base 3G", elucida Meliza Pedroso, gerente de marca e propaganda da operadora.

O carregador funciona de modo bem simples. O acendedor de cigarros transmite a energia por um fio, que por sua vez alimenta outros cabos com entradas para os sistemas operacionais mais comuns, como Android, iOS, Windows Phone e BlackBerry.


De acordo com a executiva, a ação teve início oficialmente em maio e vai até o final de julho, contemplando passageiros das cooperativas Ligue Taxi, Coopertáxi, Use Taxi, Delta Rádio Taxi e SPTaxi. A Nextel não soube informar se a ação permanecerá por mais tempo do que o previsto.


Copa 2014

Com a Copa do Mundo, as empresas com soluções para táxis também fizeram parcerias para atrair turistas. Na SaferTaxi, taxistas credenciados têm a oportunidade de estudar inglês por meio do smartphone, no app da escola de idiomas Rosetta Stone. 

"Com os próximos eventos esportivos marcados no país, como a Copa e as Olimpíadas, é muito importante atender o turista que vai estar aqui com uma boa comunicação, permitindo que eles se desloquem pela cidade sem problemas", opina Magalie Belmo, gerente de desenvolvimento de negócios da Rosetta Stone no Brasil.

Além do aplicativo, o taxista pode utilizar o método no computador e participar de treinamentos presenciais. No entanto, a ideia é que ele dê preferência ao app por conta de sua profissão. "É a solução perfeita para o taxista. Ele vai poder acessar o curso a qualquer hora e em qualquer lugar", afirma Belmo.

Segundo a Rosetta Stone, a licença de curso é gratuita por um ano, já que foca não só na Copa. "É um investimento em longo prazo. Queremos que esses taxistas consigam se comunicar não só durante os eventos esportivos, mas também após eles", completa Magalie.

99Taxis, app de chamada de táxis, também criou uma parceria com um curso de inglês, o Voxy. Neste caso, no entanto, a duração é de apenas quatro meses, com foco unicamente na Copa do Mundo. Segundo a Voxy, além das aulas por smartphone ou tablet, o taxista tem aulas individuais com professores nativos e um sistema de mensuração, para saber o grau de aprendizado ao final do curso.

De volta à SaferTaxi, a gerente explica ainda que o maior investimento do app para a Copa está na divulgação. "Estamos fazendo uma grande campanha em outros países em que estamos presentes para incentivar que os turistas saibam que, se vierem ao Brasil, também encontrarão o serviço aqui", diz Talita.


Fim da chamada por telefone?

Todas essas novas possibilidades para o mercado de táxi suscitam, entretanto, uma questão comum nesses últimos tempos: será esse o fim das chamadas de táxi por telefone?

Para a Easy Taxi, dona de um dos maiores apps de chamada, as cooperativas e chamadas por telefone não deixarão de existir, porém, deverão diminuir cada vez mais. "A Easy Taxi acredita que ainda tem muito a ser feito em relação à tecnologia. A chamada de táxis se transformou muito desde a entrada dos aplicativos no mercado, então podemos falar que, em 3 anos, 90% das chamadas de táxi no Brasil serão feitas via app", opina Maria Cecília Bere, gerente de comunicação da Easy Taxi.

Talita Lombardi, da SaferTaxi, também concorda. "As coisas mudam com o tempo. Aqui no Brasil acreditamos que vamos ficar um bom tempo com os aplicativos de táxi, divididos entre os quatro maiores players do mercado, pois temos uma demanda muito grande. Em compensação, a chamada comum de táxi não vai deixar de existir do dia para a noite. Basta ver quantas pessoas ficam numa fila em aeroporto para pegar um táxi de cooperativa. Em um futuro próximo, talvez peçamos táxi pelos smartwatches, contudo, para chegar lá, os apps precisam crescer muito, ainda", afirma.

Vale lembrar que no início do ano diversas cooperativas de São Paulo sentiram-se "ameaçadas" pelos aplicativos de chamada e chegaram a pedir por uma regulamentação do serviço. Até o momento, nada foi decidido e a Secretaria de Transportes afirmou na época estar estudando a novidade. 

"Nós já tentamos fazer parcerias com cooperativas, mas elas são muito fechadas. Do mesmo jeito que elas não apresentam essa inovação, existem soluções que nós não conseguimos atender pelo app. Estamos inovando o mercado. As empresas tradicionais precisam ver que hoje em dia as coisas são mais dinâmicas e que quem não acompanha, fica pra trás", finaliza Talita.

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