14/02/13

Startups: muitas vezes, o crescimento não é positivo



Crescer, em número e quantidade, nem sempre é bom. Existe uma ideia criada pela sociedade, que tem passado de geração para geração, de que tudo o que cresce e engrandece é melhor. Esta realidade é um mito: o crescimento pode não ser tão positivo.

Se procura a todo o custo o crescimento, poderá estar cometendo um grande erro. Pior, se a sua inércia é originalmente criada pela idealização de algo grandioso que não acredita ser possível de atingir, está cometendo um erro ainda maior. Grande parte das vezes, o crescimento não é positivo nem deve ser o primeiro, segundo ou terceiro objetivo. Na verdade, um crescimento brutal e pouco sustentado é um dos grandes problemas das startups que morrem todos os dias.

Neste momento, poderá estar pensando que não é desta forma que a informação é exposta – as Universidades não incentivam esta ideia, as grandes empresas muitos menos. Está enganado: crescer não é urgente e, muitas vezes, crescer não é necessário.


Os três mitos associados ao crescimento

Fato: não existe nenhuma pesquisa cientifica em qualquer área que fundamente os mitos atuais relativos ao crescimento. No melhor caso, esses mitos são meias verdades – no pior caso, são pura ficção. Esses mitos são conhecidos e devem ser-lhe familiares:

- Todo o crescimento é bom;
- Quanto maior, tanto melhor;
- Todos os negócios devem “crescer ou morrer”.

Bom, isto é tudo o que as pessoas acreditam porque é a mensagem que passa ao longo das gerações. Aconteceu e acontece o mesmo com a sua carreira, onde ao longo de gerações foi implantando a mensagem de que “ter um curso é que é bom,” ou “arranja emprego e mantém-se agarrado a ele.” É nisto que as pessoas acreditam, mas nem sempre é verdade. Aliás, há cada vez mais pessoas a virarem-se por conta própria e não se têm saído mal, mesmo contrariando a ideia que tem sobrevivido ao longo dos anos.

Regressando ao crescimento, a verdade é que não existem pesquisas que fundamentem que a grandiosidade é vantajosa, que deve ser o primeiro e o grande objetivo de qualquer negócio. Não há pesquisas e resultados que fundamentem essa crença comum. Em alguns casos podem estar certos, noutros não estão. Não é linear.

A única verdade sobre crescimento é que este pode ser bom ou mau. Um grande crescimento sem preparação pode sobrecarregar pessoas, processos e controles. Conhecido como efeito tsunami, o crescimento pouco ou nada sustentado transforma-se num tsunami que varre por completo o seu negócio, destruindo o seu valor.

Recorrendo à memória, e a todas as histórias que ouve sobre falhar, lembrar-se-á daquela clássica onde lhe contam que são poucos os empreendedores que acertam à primeira. No entanto, o número de empreendedores que acertam à segunda aumenta exponencialmente. Porquê? Na sua primeira tentativa, eles foram derrubados pelo crescimento. Cresceram rápido demais – muito em pouco tempo.

As verdades que comprovam que, muitas vezes, o crescimento não é positivo.
Derrubando os mitos que foram criados sobre crescimento, falemos agora de verdades. Esqueçamos as meias verdades e os “se” que pegam de assalto todos os empreendedores. As verdades sobre crescimento é que este pode…

…estressar o controle de qualidade – todos os clientes pretendem produtos 99% livres de defeitos. As grandes empresas existem porque há clientes que criam uma ligação forte com a marca e com o produto. Se a qualidade do produto falha, essa ligação jamais existirá.

…estressar o controle financeiro – para crescer necessita de investimento. Na grande maioria dos casos, para crescer e obter lucros o empreendedor tem que investir. Se essa quantidade de dinheiro investido antes de obter lucros é muito elevada, o empreendedor vai declarar falência.

…diluir a proposta de valor do cliente – pode diluir e diminuir a experiência do cliente devido ao desleixo e aos erros consecutivos que o crescimento pode trazer à empresa. A probabilidade é elevada, embora o erro seja tolerável. Mas nem sempre nem em sequência.

…diluir a cultura da empresa – as startups de sucesso têm uma visão e uma cultura exemplar que faz acompanhar o dia-a-dia. No entanto, com o crescimento, essa cultura e visão é facilmente diluída. Crescer demasiado rápido traz um elevado número de novos colaboradores para o negócio, aumentando as probabilidades de levar a empresa para um ponto indesejável.

…colocar a empresa num espaço competitivo diferente – quanto mais cresce, mais entra em campo dos gigantes da sua indústria e os desafia a irem a jogo. Associado ao crescimento da empresa vem também o crescimento da concorrência. E quanto mais cresce, maiores serão os concorrentes, que têm um maior poder financeiro e a possibilidade de se tornarem mais eficientes.

Assim sendo, a verdade e a única verdade total diz-nos que maior não significa melhor; Quanto maior, maior a burocracia e a complexidade e a complexidade pode exceder a experiência e as capacidades de gestão do empreendedor. O “crescer ou morrer” não é baseado na realidade cientifica e empresarial – será mais correto afirmar “melhorar ou morrer”.

Em resumo, a palavra crescer deve ser substituída por melhorar. Sobre essa não existe mitos e meias verdades: melhorar é sempre positivo. Melhorar os produtos e serviços, experiência e o valor para o cliente, equipamentos, etc. Antes de pensar em crescimento pense em melhorar. Quando for a hora de crescer, se alguma vez chegar a ser, terá todos os sinais que necessita para o fazer de forma sustentada.

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